
Há uns 2 dias que estou para me manifestar sobre um movimento idiota de ditos otakus no twitter, em relação a uma novela do Walcyr Carrasco que deve ir ao ar na Rede Globo ano que vem.
A Valéria, do ShoujoCafé, fez um belo post e enviou para as listas Anime-Br e Tomodachi no Shoujo, e acabei respondendo lá, assim, copio e colo aqui meu email de resposta, com mais algumas considerações. Mas antes disto, recomendo a leitura do post dela, e também dos nossos parceiros Gyabbo e Subete.
Há muito tempo não me manifesto na lista, só fico lendo, mas fiquei sabendo deste incidente. Sinceramente, antes de me preocupar se uma novela mostraria otakus e a cultura japonesa de forma distorcida, eu me preocuparia mais em não parecer retardado, que é algo que muitos dos nossos otakus vem parecendo ultimamente.
Basta ver em épocas de eventos pelo país as palhaçadas e coisas idiotas e retardadas que os ditos otakus saem fazendo pelas ruas, queimando o próprio filme, ou nas raras entrevistas e matérias que vemos na tv. Mesmo quando alguém da uma entrevista a sério, sempre tem um retardado tentando aparecer fazendo idiotices atrás. E falo isso por experiência: já coordenei vários eventos aqui no RS e até SC e uma sala num animefriends.
Quando ia alguma equipe de tv fazer reportagem e eu tinha que cobrir os colegas da área de imprensa, lá vinha dor de cabeça, pra escolher a dedo com quem deixar os repórteres falarem, além de mim e outros coordenadores, e manter os otakus hardcore longe das câmeras, a fim de minimizar os danos.
Pessoal não tem senso de humor pra levar na brincadeira os comentários do Walcyr, e prefere sair criticando algo que ainda nem foi feito. Concordo com tudo que a Valéria disse, se fosse o Walcyr, agora é que mostraria os ditos otakus, e da pior forma possível.
Aqui no RS já tivemos muitos problemas, e até batizamos esses otakus que ficam pulando, gritando e afins de “puladores”. Desde problemas com seguranças de um shopping onde o povo se reunia fim de semana pra conversar e jogar fliperama, até a Casa de Cultura Mário Quintana, onde o pessoal se reunia pra conversar também nos fins de semana, levando o grupo dos mais conscientes a conversar com a direção do lugar pra tentar criar regras e nós mesmos tentarmos controlar esses afoitos, pra não dizer coisa pior, a fim de não perder outro local de encontro.
Até briga com o pessoal que ia pra essa casa de cultura jogar RPG alguns conseguiram. Fazem coisas pior que crianças e muitos já nem são mais crianças. Não sabem que tudo tem sua hora e lugar, até mesmo para bancar o mico adestrado tem hora e lugar certo.
Sem falar nas pérolas que esse povo faz e fala durante os eventos. Quando se trabalha na coordenação se vê cada coisa e se lida com cada coisa. Já tive que encaminhar uma de ambulância pro hospital, porque pulou idiotamente em vez de andar como gente normal, que acabou fraturando a patinha, e depois tive que correr atrás dos pais pra avisar.
Enfim, antes de criticar uma novela que nem foi feita e a opinião do autor da novela, que pelo menos se deu o trabalho de ir até lá pesquisar, deviam começar cuidando de seus umbigos, reavaliando seu comportamento, que é o que tem trazido má fama, e evitar movimentos bestas desses, que só fazem é denegrir ainda mais essa imagem que tanto querem preservar de fãs.
Afinal, daqui a pouco, com este tipo de atitude, esse povo vai é conseguir que todos os fãs de anime e mangá e cultura pop oriental fiquem conhecidos e estereotipados como a versão humorística para otaku, publicada na Desciclopédia.
Tudo bem querer protestar, mas o mínimo a fazer é esperar a tal novela estrear e, se a coisa ficar mesmo feia, que enviem emails à Globo, ao autor, escrevam artigos inteligentes criticando construtivamente, fundamento suas críticas, dando sugestões.
Fazer movimentinho via twitter sobre algo que ainda está por vir, ofendendo o autor com palavras de baixo calão, criticando por criticar, só atrairá publicidade negativa para este tipo de público.
Se a intenção era chamar a atenção, certamente surtiu efeito, contudo, os resultados não foram bons: com isso, só conseguiram reforçar os preconceitos de que anime e mangá são coisas de criança, ou de gente alienada e desocupada. Sim, porque perder tempo fazendo um protesto desse gênero é coisa de DESOCUPADOS. Como diria minha avó, a emenda ficou pior do que o soneto.